Desafios e avanços da transformação digital na saúde brasileira
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A digitalização segue se expandindo na saúde no Brasil, mas ainda precisa de maiores avanços para se consolidar. Segundo a pesquisa Tic Saúde 2024, 92% dos hospitais do país já utilizam prontuário eletrônico, mas somente 18% possuem uma estratégia digital estruturada.
Ou seja, embora nove em cada dez hospitais contem com avanços digitais na rotina, a maioria ainda não criou um sistema integrado para aproveitar plenamente os benefícios da tecnologia. Além disso, apenas 9% operam de forma totalmente digital, sem o uso de papel.
Dados recentes apontam que o papel das lideranças no setor tem sido insuficiente diante dos avanços tecnológicos dos últimos anos, o que freia a evolução das ferramentas digitais.
Preparo de líderes é obstáculo na digitalização da saúde
A 27ª edição da Global CEO Survey revelou que quatro em cada dez líderes do setor de saúde precisam revisar seus modelos de gestão atuais para não se tornarem ultrapassados nos próximos dez anos.
Especialistas destacam que a falta de conhecimento é um fator decisivo. A inteligência artificial, por exemplo, é uma das principais tendências tecnológicas na saúde, mas menos de 10% dos líderes brasileiros se sentem preparados para lidar com seus impactos, segundo a Maitha Tech.
Além disso, cerca de metade dos entrevistados admite não ter capacitação adequada para trabalhar com IA. A comunicação fragmentada entre equipes clínicas e administrativas também prejudica os resultados.
Modelo 4.0 integra avanços tecnológicos no setor
Na transformação digital da saúde, inovações têm sido essenciais para melhorar os serviços. Elas contribuem para uma gestão otimizada em clínicas e hospitais, por meio de tecnologias que fazem parte da iniciativa conhecida como liderança 4.0 na saúde, como:
- Inteligência Artificial (IA): acelera a análise de exames e identifica padrões que passam despercebidos, auxiliando em diagnósticos mais precisos.
- Big Data: processa grandes volumes de dados para apoiar decisões clínicas e administrativas com mais assertividade.
- Internet das Coisas Médicas (IoMT): conecta dispositivos e equipamentos para monitoramento remoto e coleta de informações em tempo real.
- Análise preditiva: utiliza dados históricos para antecipar riscos e otimizar o planejamento dos cuidados ao paciente.
Para consultores da Conclínica, que atua com software de gestão para saúde, o principal desafio é unir tecnologia e habilidades humanas. O líder 4.0 precisa gerir equipes distribuídas e fomentar uma cultura constante de aprendizado.
A inteligência artificial também tem se mostrado relevante em diversos aspectos. De acordo com um estudo do Google Cloud sobre retorno sobre investimento (ROI), essa tecnologia trouxe retorno financeiro em até um ano para 74% das empresas que a adotaram.
Além disso, a integração tecnológica ajuda a reduzir o uso de papel em hospitais e clínicas. Isso resulta em maior eficiência e produtividade, além de um ambiente mais sustentável, com menos desperdício de recursos naturais.
Em geral, o avanço da digitalização na saúde depende de lideranças preparadas e da integração entre equipes. Assim, é possível unir tecnologia e gestão para melhorar o atendimento, a eficiência e a sustentabilidade do setor.